Ariel Lara de Oliveira

por pouco

Em ao correr do pincel, 07/11/2010 às 12:44

tô me sentido muito assim ultimamente.

[crônica do verissimo do livro ed mort e outras histórias.]

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Por pouco
Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam ― e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, porpouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida mas não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.
Pena e comiseração para os que preferiram o pássaro na mão. Para os que não foram ser os legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular. Para os que pensaram duas vezes. Pena e comiseração para os que envelheceram tentando decidir o que iam ser quando crescessem. E para os que decidiram, mas na hora não foram.
Alguns passam a vida acompanhados pelo que podiam ter sido. Por fantasmas do irrealizado. Um cortejo de ressentimentos. Este aqui sou eu se tivesse decidido fazer aquele curso em Paris. Este outro sou eu se tivesse chegado um minuto antes no vestibular…
Olha que bom aspecto eu teria se tivesse aceito aquela nomeação. Veja o bigode. O corte decidido do cabelo. O olhar de quem é firme, mas justo com subalternos. A cintura ajustada. As mãos que não tremem. Elas me seguem por toda a parte, as minhas alternativas.
Você conhece muitos assim. Gente que cultiva suas oportunidades perdidas como outros guardam o próprio apêndice num vidrinho. E não perdem oportunidade de contar como foi a oportunidade perdida.
― Foi num jogo de pôquer. Tinha dois pares e não joguei. Quem ganhou tinha só um. A melhor mesa da noite. Milhões. Eu, hoje, seria outro.
― Fiz uma ponta naquele filme do Tarzã, mas cortaram a minha parte. Se tivessem me visto em Hollywood…
― Se eu tivesse dito sim…
― Se eu tivesse dito não…
― Se mamãe não tivesse interferido…
― Uma vez fui fazer um teste no Fluminense. Abafei. Mas a família foi contra. Insistiu com a contabilidade. Eu, hoje, seria outro.
― Já tive a minha época de escritor, tá sabendo? Uns contos até razoáveis. Mas nunca me mexi. Hoje eles estão numa gaveta, sei lá.
― Você sabe que só não me elegi deputado, porque não quis?
― Eu, hoje, podia ser até primeiro-violino.
― Tudo porque eu não saí daqui quando devia.
Pena e comiseração para os que não saíram daqui quando deviam. Há quem diga que o passo crucial só pode ser dado uma vez e nunca mais. Tem a sua hora certa, e ela não volta. Bobagem, claro. Mas não para os que tiveram a sua hora e não aproveitaram. Os mártires do por pouco.
― Sei exatamente quando foi que eu tomei a decisão errada. Foi numa noite de Ano-Bom.
Você já ouviu a história várias vezes. Mas não pode impedi-lo de falar. O únicodivertimento que lhe resta é o que ele poderia ter sido. Os que não deram o passo crucialquando deviam estão condenados ao condicional. E têm a volúpia da própria frustração.
― Se eu tivesse aproveitado… Ela estava gamada. Gamadona. Filha da segunda fortuna do Brasil.
Da última vez que você ouviu a história, era a terceira fortuna do Brasil, mas tudo bem.
― Bobeei e babaus. Hoje, quando eu penso…
Você tenta ajudar.
― Podia não ter dado certo. O pai dela não ia deixar. Um morto-de-fome como você…
― Morto-de-fome, porque eu não dei o passo crucial na hora que me ofereceram aquele negócio no Mato Grosso. Ia dar um dinheirão.
― Mas se você fosse para o Mato Grosso, não teria conhecido a menina na noite de Ano-Bom.
― Pois é. Agora é tarde. Sei lá.
Agora é tarde. As decisões erradas são irrecorríveis. Você o imagina cercado das suas alternativas. De um lado, casado com a, vá lá, primeira fortuna do Brasil. O último homem do Rio a usar echarpe de seda. Grisalho, mas ainda em forma com aquele tom de pele que só se consegue passando o dia na piscina do Copa, mas na sombra. Do outro lado, o próspero fazendeiro do Mato Grosso que pilota o seu próprio avião e tem rugas em torno dos olhos de tanto procurar o fim das suas terras no horizonte, ou de tanto rir dos pobres. E no meio, ele, a ponto de lhe pedir dinheiro emprestado outra vez. Triste, triste. Eu ia escrever uma boa crônica sobre tudo isso. Mas o assunto me fugiu, perdi a hora certa. Agora é tarde.

___

tá certo que o verissimo é genial, se não eu não o estaria colocando entre os textos do meu blog, mas também não precisava, né?

ler isso (pela 500 vez que releio o ed mort) justo agora.

se bem que, mentira, sempre me senti assim. esse texto sempre me deixa meio…

sabem como é, né?

acho que ele faz isso com todo mundo, é a magia do lfv. genial.

e a legal de tudo isso é exatamente a ironia, de ele escrever um texto engraçado mas ao mesmo tempo meio deprimente.

pra mim, pelo menos.

sempre me faz rir amargamente.

nem sei porquê.

fico pensando daí nas diversas alternativas minhas e não sei se trocaria elas por mim hoje.

quer dizer, tu sabe o que tu poderia ter mudado, mas tu nunca vai poder garantir que por causa de tal ou tal mudança tu estarias melhor do que agora.

se me dessem a oportunidade de mudar alguma coisa, será que eu trocaria?

olha que eu acho que sim. só não sei exatamente por qual das diversas alternativas. complicado, né?

tava falando isso com a bia esses dias, e eu parecia muito certo de que mudaria e sabia exatamente o que mudaria.

hoje já não sei se tenho tanta certeza, pra ser bem sincero.

oh, god, doença e crises existenciais são um péssimo combo.

que eu vou lá me entupir de flixonase e vodka. um ótimo combo.

(e não, não estou deprimido. só confuso, acho. the fuck, né?)

por sinal, eu tinha um poema sobre isso, se tiver na minha pen drive posto logo a seguir. pode ser?

cansei.

My Girl

Em lista, 11/10/2010 às 20:18

Smokey Robinson. Uma das músicas mais fodas. Versões.

 

A original, do Temptations.

 

A do Redding, favorita do John Lennon, tava na Jukebox dele.

 

A dos Rolling Stones, de 65. Voz do Mick tá fodona.

 

Mamas & Papas. A melhor de todas sem dúvida.

 

The Jackson Five. Michael Power Black Child dos anos 70.

 

Letra:

I’ve got sunshine on a cloudy day
When it’s cold outside i’ve got the month of may

Well, I guess you’ll say
What can make me feel this way?
My girl, I’m talkin’ ’bout my girl

I’ve got so much honey the bees envy me
I’ve got a sweeter song than the birds in the trees

Well, I guess you’ll say
What can make me feel this way?
My girl, I’m talkin’ ’bout my girl

I don’t need no money, fortune or fame
I’ve got all the riches, baby, one man can claim

Well, I guess you’ll say
What can make me feel this way?
My girl, i’m talking about my girl

Talking bout my girl
I’ve got sushine on cloudy day
With my girl
I’ve even got the month of may with my girl

 

Adoro essa música.

Conhecem mais covers?

pokéwhat?

Em ranting, 21/09/2010 às 17:31

Filhos da década de 90, tremei!

Não contentes com as mais recentes tentativas cinematográficas de estragar nossa infância com ridículas adaptações de desenhos japoneses clássicos para quem foi criança nos anos 90, os insultos vão adiante. Depois de Dragon Ball e Street Fighter, Pokémon é a próxima vítima dos live-actions estadunidenses. Aproveitando-se dos nomes de sucesso desses desenhos, que por si só já garante um público nos cinemas, esses filmes são produzidos sem nenhum cuidado em relação à história original, caracterização dos personagens ou significado que cada uma das franquias tem para seu fiel público. Público esse que irá (?) aos cinemas para ver o quão revoltados devem ficar por mais uma heresia hollywodiana atacando (nossas) lembranças infantis. E nem tão infantis assim.

Aí está o vídeo que enfiou uma adaga no coração: o trailer do tal Pokémon: Apokélipse.


Falo para quem assistiu o anime. Talvez quem não tenha assistido não entenda a revolta. Talvez quem nunca tenha jogado Pokémon entenda menos ainda. Tanto faz.

Começo reclamando da péssima caracterização dos personagens, desvirtuação COMPLETA dos personagens originais. Não apenas os pokémons (cuja ridícula animação é vergonhosa até em comparação a animações publicitárias nacionais), mas os personagens. O ator que faz o personagem principal (que me recuso a chamar de Ash em respeito à memória do personagem verdadeiro), além de ser indiano, tem uma atuação que não convence nem no trailer. Cito a etnia dele não em tom de racismo, mas, novamente, em obrigação ao personagem original. Japonês. O ator que faz o personagem secundário que eu imagino que seja intenção dos produtores que seja reconhecido como o Brock é mais branco que o ator que faz o personagem principal dono do bicho amarelo que tenta parecer um pikachu. Quando o Brock é característicamente mais escuro que o Ash (além de não abrir os olhos e, no anime, ser meio taradinho).

(Nos créditos finais do trailer, vi que o ator principal é também um dos produtores do filme, o que explica muita coisa.)

No trailer, aquilo que eu imagino que seja esperado pelos produtores que deva ser reconhecido como a Equipe Rocket (porque tem poso de antagonistas e tem um bicho que de longe lembra o meowth segurando uma metralhadora), não poderia estar mais longe da Equipe Rocket do anime. Atrapalhados, idiotas e nem de longe vilões. Por sinal, o Rocket masculino que eu tenho apenas que supor que seja o James parece mais com o Ash do que o indiano personagem principal.

(De novo, eu sublinho o fato de que não tenho NADA contra indianos, tirando greco-ítalo-indianos como o Tony Ramos. Mas o Ash não é indiano, então um ator indiano pro papel dele é simplesmente idiota.)

Sem contar toda a realidade futurística pós-apocalipse em que o filme se passa. Que poderia até ser aceitável como uma desculpa pra se fazer uma história nova pra um filme sem contexto. Masnem pra isso serve.

Não falo mais nada por enquanto, pois estou falando apenas do que vi no trailer.

E não sei se vou voltar a falar disso, porque não tenho intenção NENHUMA de ver o filme (assim como não vi Dragon Ball Evolution e Street Fighter com a Chun Li da imbecil da Kristin Kreuk).

Só espero (e OH MY GOD como espero) que seja uma dessas coisas de Internet bem feitas que engana todo mundo. Torçam comigo. (Se for esse o caso, acho que seria de bom tom ignorar completamente esse texto. Obrigado).

Cansei.

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